Lisboa
20 de Julho, 2012

Os constrangimentos que ditaram a diminuição da concessão de crédito são de três ordens: necessidade de desavalacagem dos bancos; recessão económica, no caso das empresas, debilidade dos balanços de muitas delas.

Os bancos portugueses, numa conjuntura adversa, com maiores exigências regulatórias e grande rigor no que respeita à gestão do risco e, ainda, com o agravamento das suas condições de exploração, estão preparados para financiar a economia e contribuir para a estabilidade do sistema e para o crescimento económico. Reforçaram a sua solvabilidade, aumentando os rácios de capital e deram prioridade ao provisionamento e registo de imparidades, a sua liquidez melhorou significativamente.

Diz-se com alguma frequência  que o crédito não chega à economia. Ora o que acontece, na grande maioria dos casos, é que as empresas não apresentam balanços adequados, não têm possibilidade de apresentar garantias suficientes, estão descapitalizadas e, por isso, não passam o crivo da avaliação de risco. E esta, numa gestão correcta e face às novas exigências da supervisão e regulamentação, não pode deixar de ser rigorosa.

Tal como os Bancos, as empresas portuguesas cujo endividamento atingiu 128% do PIB, têm que procurar reduzi-lo, recapitalizando-se.
Como poderá ser feita esta recapitalização?

Há várias alternativas, quando os accionistas não o conseguem fazer:

  • Entrada de novos accionistas;
  • Parcerias com outras empresas – que podem visar a sua consolidação;
  • Recurso ao capital de risco nas suas diversas vertentes;
  • Utilização de instrumentos inovadores e formas diferentes das habituais de reforço de capital. Por exemplo, através de   fundos de recapitalização e de reestruturação;
  • Restruturação dos créditos, com eventual transformação de parte da dívida em capital, reforçando também a sua “governance”;
  • Maior utilização do mercado de capitais.


A banca portuguesa vai estar na primeira linha do apoio ao crescimento económico e constituir-se como o seu motor, apoiando a exploração corrente das empresas, os investimentos para a sua modernização e os novos investimentos, designadamente no sector dos bens transacionáveis. A concessão de crédito às empresas com balanços saudáveis, às empresas competitivas e inovadoras, as que apresentam bons projectos, é uma das funções principais que a banca cumpre. Mas, também, o seu contributo para a criação de instrumentos de recapitalização das empresas, no capital de risco (semente, mezanine ou de desenvolvimento), no incentivo ao acesso e utilização do mercado de capitais (emissão de obrigações, p.e.) e, muito em especial, nos mecanismos de reestruturação financeira das empresas, serão de grande importância no desenvolvimento de um novo e saudável modelo de crescimento económico. Este depende da capacidade empresarial, da eficiência geradora de maior competitividade e de inovação. E, claro, pela capacidade de financiamento da economia.